Paróquia de Campelos

O Reino dos Céus é semelhante à pérola preciosa

XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 26 DE AGOSTO DE 2020

Pe. Paolo Ciampoli

26/07/2020

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (13, 44-52)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?» Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».

Aprendamos da ostra. Quando algum parasita ou grão de areia ou outro corpo estranho entra na concha, a ostra percebe que se trata duma ameaça, pois vem a irritar o próprio corpo do molusco. Podemos dizer que a ostra tem discernimento, tal como Salomão na primeira leitura, o qual só pediu a Deus essa capacidade de saber distinguir entre o bem e o mal. São poucos os que, como Salomão, têm a sabedoria que vem de Deus. Também são poucas as ostras capazes de produzir uma pérola.
Assim, as ostras “sábias” apercebem-se quando vem o intruso, mas também sabem que não são capazes de o eliminar. Na nossa vida, acontecem factos que nos fazem sofrer. Sem sabedoria, perguntaremos: “Mas porque é que Deus permite essa desgraça?”. Mas o cristão recebe a sabedoria que vem de Deus, e percebe que não foi Deus que lhe mandou aquele sofrimento, pois Deus só quer o nosso bem. E donde vêm então as doenças e a morte? Do nosso inimigo, o diabo, ele que quer a nossa ruína. Mas então, porque é que Deus o deixa actuar? Porque Deus é sábio e sabe o que o diabo não sabe: a partir dum mal, o Senhor é capaz de fazer surgir um bem muito maior. Não podemos entender com a razão o “porquê” da cruz, mas podemos entrar no mistério, descobrindo o “para que”. Acredita que, como diz São Paulo na segunda leitura: «Tudo concorre ao bem dos que amam a Deus». Tudo o que Deus permite reverterá em nosso favor. A doença que apareceu será uma purificação, servirá a provar a fé, a fazé-la crescer, como um fogo que purifica um metal precioso das impurezas.
Assim, a ostra “sábia” tira um bem do seu sofrimento: a irritação provocada pelo intruso faz com que o organismo da ostra produza uma substância chamada madrepérola. A ostra pode demorar cerca de três anos a cobrir o invasor por muitas camadas dessa substância, até se formar uma pérola. Uma ameaça de morte ficou transformada numa joia maravilhosa, numa obra de arte única. Quando estamos perante a cruz, temos então duas possibilidades: ou nos revoltamos, ou pedimos o dom do Espírito Santo, que tal como a madrepérola, nos ajudará a levar a cruz e a torná-la gloriosa, luminosa, descobrindo o seu significado para a nossa vida.
Qual é, portanto, a pérola preciosa da nossa vida? É o amor de Cristo, pois amar a Cristo é a única verdade, e todo o resto é vaidade. Tu hoje, quanto amor tens a Cristo? Eu respondo que tenho ainda muito pouco amor. O diabo, sem o saber, dá-nos a possibilidade de fazer crescer em nós esse amor. Ele atira uma cruz sobre nós, esperando que ela nos esmague. Mas com Cristo, o seu peso torna-se ligeiro e faz com que a nossa fé e o nosso amor seja provado, para amadurecer. É muito raro encontrar uma pérola, assim como é raro encontrar uma pessoa que abrace a sua cruz sem se revoltar. A pérola é Cristo, o único capaz de entrar voluntariamente na cruz. Esse tesouro não está longe de nós, mas sim dentro de nós. Aí vem habitar Cristo, através do seu Santo Espírito.
Paz

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