Paróquia de Campelos

Rosário da Família

Mistérios Gloriosos

Domingo e Quarta

“Os mistérios gloriosos – escreve o papa João Paulo II, – alimentam nos crentes a esperança da meta escatológica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na história. Isto há-de necessariamente levá-los a dar um corajoso testemunho daquela «grande alegria» que dá sentido a toda a vida.”

Meditemos os mistérios gloriosos, tendo diante de nós a imensa necessidade que tem o nosso mundo de um testemunho de alegria e de vida, por parte daqueles que encontram em Cristo ressuscitado a fonte da vida e do amor, a razão para viver segundo a sua Palavra, como Maria.

Leitura

Do Evangelho segundo São Mateus (Mt 28, 5-7)

Mas o anjo tomou a palavra e disse às mulheres: «Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito. Vinde, vede o lugar onde jazia e ide depressa dizer aos seus discípulos: ‘Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia».

 

Meditação

“Contemplando o Ressuscitado, o cristão descobre novamente as razões da própria fé, e revive não só a alegria daqueles a quem Cristo se manifestou – os Apóstolos, a Madalena, os discípulos de Emaús – mas também a alegria de Maria, que deverá ter tido uma experiência não menos intensa da nova existência do Filho glorificado”, escreve João Paulo II. (RVM, 23)

Nascemos cristãos mergulhados na Páscoa de Cristo, pelo Baptismo, e todos os sacramentos são sinais e participação nessa ressurreição e nessa vida. Também o sacramento do Matrimónio que funda a família cristã.

 

Prece

A ressurreição é fonte da Fé da Esperança. Como diz o papa Francisco: “Isto deve ser feito no contexto da convicção mais preciosa dos cristãos: o amor do Pai que nos sustenta e faz crescer, manifestado no dom total de Jesus Cristo, vivo no meio de nós, que nos torna capazes de enfrentar, unidos, todas as tempestades e todas as etapas da vida”. (AL, 290)

Rezemos então para que, cada família, habitada pela presença ressuscitada e ressuscitadora de Cristo, seja testemunha da vida em plenitude.

Leitura

Do Evangelho segundo São Mateus (Mt 28, 18-20)

“Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»”.

 

Meditação

O papa Francisco recorda bem a missão da família, ao escrever: “A educação dos filhos deve estar marcada por um percurso de transmissão da fé, que se vê dificultado pelo estilo de vida actual, pelos horários de trabalho, pela complexidade do mundo actual, onde muitos têm um ritmo frenético para poder sobreviver.” (AL, 287)

E diz também: “E, no coração de cada família, deve ressoar também o querigma, a tempo e fora de tempo, para iluminar o caminho. Todos deveríamos poder dizer, a partir da vivência nas nossas famílias: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1Jo 4, 16)”. (AL, 290)

 

Prece

Rezemos para que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d’Ele, porque só assim «cada geração contará à seguinte o louvor das obras [de Deus] e todos proclamarão as [Suas] proezas» (Sl 145/144, 4) e «o pai dará a conhecer aos seus filhos a [Sua] fidelidade» (Is 38, 19); só assim se fará a transmissão da fé’. (AL, 287)

Leitura

Do livro dos Actos dos Apóstolos (Act 2, 3-4)

“Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo.”

 

Meditação

Um dos momentos significativos, na celebração do Matrimónio, é quando os noivos se ajoelham para que o sacerdote invoque sobre eles o Espírito Santo. Será a chama do Espírito que manterá aceso nos seus corações o amor fiel e fecundo. Por isso, como diz o papa Francisco, “a espiritualidade matrimonial é uma espiritualidade do vínculo habitado pelo amor divino”. (AL, 315) “A Trindade está presente no templo da comunhão matrimonial”. (AL, 314)

 

Prece

Alunos da ‘escola de Maria’, rezemos para que as famílias se deixem crescer pela acção do Espírito: para que o amor de Deus seja fonte do amor conjugal.

Leitura

Do livro do Apocalipse (Ap 21, 1-2)

“Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia. E vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo.”

 

Meditação

Logo nos primeiros números da Exortação ‘A Alegria do Amor’, o papa Francisco escreve: “A Bíblia aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares, desde as primeiras páginas onde entra em cena a família de Adão e Eva, como seu peso de violência mas também com a força da vida que continua (cf. Gn 4), até às últimas páginas onde aparecem as núpcias da Esposa e do Cordeiro (cf. Ap 21, 2. 9).”

Maria elevada ao Céu antecipa o destino reservado a todos os filhos e filhas de Deus: sentar-nos, à mesa, no baquete das núpcias do Cordeiro.

 

Prece

Rezemos para que a experiência matrimonial seja caminho de santidade, onde o amor cresça e se construa, cada dia. Mas “nada disto é possível, se não se invoca o Espírito Santo, se não se clama todos os dias pedindo a sua graça, se não se procura a sua força sobrenatural, se não Lhe fazemos presente o desejo de que derrame o seu fogo sobre o nosso amor para o fortalecer, orientar e transformar em cada nova situação.” (AL, 164)

Leitura

Do livro do Apocalipse (Ap 12, 1)

“Depois, apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça.”

 

Meditação

Para Maria, tudo começou, balbuciado e a medo, em Nazaré. Mas Ela foi capaz de confiar e dizer ‘Sim’ ao chamamento de Deus. Agora, contemplámo-la coroada como Rainha dos Anjos e dos Santos. Foi todo um caminho, entre alegrias e dores, mas sempre habitada pelo Espírito Santo e pelo desejo de fidelidade a Jesus Cristo. Aquele “Fazei tudo o que Ele vos disser”, de Caná, já tinha sido dito por ela e foi mantido até ao fim.

 

Prece

Escreve o papa Francisco, tendo presente as luzes e sombras do caminho de cada matrimónio e de cada família:

“Cada matrimónio é uma «história de salvação», o que supõe partir duma fragilidade que, graças ao dom de Deus e a uma resposta criativa e generosa, pouco a pouco vai dando lugar a uma realidade cada vez mais sólida e preciosa. Talvez a maior missão dum homem e duma mulher no amor seja esta: a de se tornarem, um ao outro, mais homem e mais mulher.” (AL, 221)

 

Rezemos para que todas as famílias se mantenham fiéis ao primeiro chamamento, até receberem a coroa de glória prometida a todos os que se ajustaram à vontade de Deus. Como Maria, como José.

Mistérios Gozozos

Segunda e Sábado

À segunda e ao sábado, meditamos, os mistérios gozosos, os mistérios da alegria, associados à infância de Jesus. Iluminados pela Exortação do papa Francisco ‘A Alegria do Amor’, queremos meditar nesta alegria, que perpassa cada um dos cinco mistérios do rosário, a partir da experiência do amor, que se vive nas famílias, pois “a alegria do amor, que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja”. (AL, 1)

Leitura

Do Evangelho segundo São Lucas (Lc. 1, 26-38)

“Disse o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus». Maria disse então: «Faça-se em mim, segundo a Tua Palavra»”.

 

Meditação

Maria acolhe, com total surpresa, o dom de uma nova vida. Mesmo se essa vida nova desconcerta todos os seus planos. A esta luz, podemos dizer que “a família é o âmbito não só da geração, mas também do acolhimento da vida, que chega como um presente de Deus. Cada nova vida «permite-nos descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca cessa de nos surpreender. É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegar». Isto mostra-nos o primado do amor de Deus, que sempre toma a iniciativa, porque os filhos «são amados antes de ter feito algo para o merecer»”. (AL, 166)

 

Prece

Peçamos ao Senhor a graça de nos deixarmos maravilhar pelas surpresas de Deus, sobretudo no dom de uma nova vida humana. Quando chegar a hora de escutar a voz de Deus, Maria de Nazaré, ajuda-me a dizer «sim».

Leitura Bíblica Do Evangelho segundo São Lucas (Lc. 1, 39-47)

Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou: “Logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meio seio”.

 

Meditação

O encontro entre Maria e Isabel é o encontro de duas mulheres agraciadas e agradecidas pela sua gravidez. A esta luz, podemos considerar que “a gravidez é um período difícil, mas também um tempo maravilhoso. A mãe colabora com Deus, para que se verifique o milagre duma nova vida”. (AL, 168). Ressoam aqui as belas palavras de exortação do Papa Francisco: “A cada mulher grávida, quero pedir-lhe afetuosamente: Cuida da tua alegria, que nada te tire a alegria interior da maternidade. Aquela criança merece a tua alegria. E louva como Maria: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva» (Lc 1, 46-48)”. (AL, 171)

 

Prece

Peçamos por todas as mulheres, surpreendidas, pela graça de um filho, para que nunca lhes falte a ajuda necessária. Quando chegar a hora de servir a quem precisa, Maria da Visitação, dá-me espírito de serva.

Leitura

Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 2, 15-19)

“Os pastores começaram a dizer uns aos outros: «Vamos a Belém para vermos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer”. Para lá se dirigiram apressadamente e encontraram Maria e José e o Menino deitado na manjedoura”.

 

Meditação

O nascimento de Jesus em Belém manifesta o mistério da encarnação, que tem o seu lugar no seio de uma família, onde não faltam o amor de um pai e de uma mãe, de José e de Maria. A esta luz, recordamos que “toda a criança tem direito a receber o amor de uma mãe e de um pai, ambos necessários para o seu amadurecimento íntegro e harmonioso. Respeitar a dignidade de uma criança significa afirmar a sua necessidade e o seu direito natural a ter uma mãe e um pai. Não se trata apenas do amor do pai e da mãe separadamente, mas também do amor entre eles, captado como fonte da própria existência, como ninho acolhedor e como fundamento da família. Ambos, mostram aos seus filhos o rosto materno e o rosto paterno do Senhor”. (AL, 172)

 

Prece

Peçamos pelas crianças, órfãs de pais vivos. Quando chegar a hora de sonhar um mundo novo, Maria de Belém, manda os anjos de Natal.

Leitura

Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 2, 15-19)

“Quando os pais de Jesus, trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei, no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus”.

 

Meditação

Ninguém deu a vida si mesmo, como ninguém deu a si mesmo a fé. Este mistério da Apresentação do Menino Jesus, no templo, quarenta dias depois do nascimento, celebra e exprime a consciência de que um filho “não é uma dívida, mas uma dádiva” (AL, 81), um dom a ser acolhido e oferecido. Mas este gesto da tradição judaica cumprido por Maria e José testemunha o papel dos pais na transmissão, na educação e no testemunho da fé. Também a esta luz é bom recordar que “a família deve continuar a ser lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo. Isto começa no batismo, onde as mães que levam os seus filhos «cooperam no parto santo»”. (AL, 287)

 

Prece

Peçamos pelas famílias cristãs para que, na Igreja, se «tenha o cuidado de valorizar os casais, as mães e os pais, como sujeitos ativos da catequese». (AL, 287) Quando chegar a hora de rezar ao Pai do Céu, Maria da Apresentação, associa-me à entrega do Teu Filho.

Leitura

Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 2, 46-51)

“Passados três dias, os pais de Jesus encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores. Quando O viram, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco: teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque me procuráveis; não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?».”

 

Meditação

Na cena da perda e do encontro do Menino Jesus no Templo, torna-se claro, para os pais, sobretudo no início da adolescência, que os filhos não são pertença nem réplica, nem prolongamento dos pais: são filhos e filhas do chamamento da própria Vida. Vêm por meio dos pais, mas não deles. Escreveu Santa Madre Teresa de Calcutá: “Ensinarás a voar... Mas não voarão o teu voo. Ensinarás a sonhar... Mas não sonharão o teu sonho. Ensinarás a viver... Mas não viverão a tua vida. Ensinarás a cantar... Mas não cantarão a tua canção. Ensinarás a pensar... Mas não pensarão como tu. Porém, saberás que cada vez que voem, sonhem, vivam, cantem e pensem... estará a semente do caminho ensinado e aprendido!”

 

Prece

Peçamos ao Senhor que as nossas famílias, igrejas domésticas, integradas na Igreja, a grande família, se tornem lugares de escuta e de resposta pessoal ao chamamento pessoal do Senhor. E se algum dia me perder, longe da Casa do Pai, Maria de Jerusalém não deixes de procurar-me.

Três ave-marias em honra da pureza de Nossa Senhora

Nota prévia: Podem ser concluídas com excertos da oração do Papa São João Paulo II, na conclusão da encíclica sobre o Evangelho da Vida.

 

No final da 1.ª Ave-Maria:

Ó Maria, aurora do mundo novo, Mãe dos viventes, confiamo-Vos a causa da vida: olhai, Mãe, para o número sem fim de crianças a quem é impedido nascer, de pobres para quem se torna difícil viver, de homens e mulheres vítimas de inumana violência, de idosos e doentes assassinados pela indiferença ou por uma falsa compaixão.

 

No final da 2.ª Ave-Maria:

Maria, fazei com que todos aqueles que creem no vosso Filho saibam anunciar com desassombro e amor aos homens do nosso tempo o Evangelho da vida.

 

No final da 3.ª Ave-Maria:

Maria, alcançai-nos a graça de acolher o Evangelho da Vida, como um dom sempre novo, a alegria de o celebrar com gratidão em toda a sua existência, e a coragem para o testemunhar com laboriosa tenacidade, para construírem, juntamente com todos os homens de boa vontade, a civilização da verdade e do amor, para louvor e glória de Deus. (Cf. João Paulo II, Evangelium Vitae, 105)

Mistérios Dolorosos

Terça e Sexta

Um rasto de sofrimento e sangue!

Ao meditarmos os mistérios dolorosos, queremos unir à agonia de Jesus, as múltiplas angústias das famílias do nosso tempo e todo o tipo de atentados cometidos contra a vida. Na flagelação e na coroação de espinhos, identificamos tantas formas de violência, que ameaçam ainda hoje as famílias, no mundo inteiro. E, no caminhar fiel de Jesus para a Cruz sentimos todo o peso daquele amor que vai até ao fim, para dar a vida para sempre. Meditemos, pois, os mistérios dolorosos, enxertando na Cruz do Senhor, as dores e angústias das famílias do nosso tempo. “No coração Imaculado de Maria, estão também todos os acontecimentos de cada uma das nossas famílias, que Ela guarda solicitamente. Por isso pode ajudar-nos a interpretá-los de modo a reconhecera mensagem de Deus na história familiar”. (AL, 30)

Leitura

Da Paixão, segundo São Mateus (Mt 26, 36-39)

Jesus chegou com eles a uma propriedade, chamada Getsémani. Disse-lhes então: «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo». E, adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra, enquanto orava e dizia: «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres».

 

Meditação

Jesus está em agonia até ao fim dos tempos, em todas as situações de sofrimento. E esta agonia atravessa também o coração das nossas famílias. E podíamos recordar os principais motivos de angústia: a doença e a falta de trabalho (AL, 44), o desemprego e a precariedade (AL, 25), associados à insegurança económica e ao medo quanto ao futuro dos filhos; a falta de uma habitação digna (AL, 44), a migração forçada, em consequência de situações de guerra, perseguição, pobreza, injustiça (AL, 46). E podíamos acrescentar ainda o flagelo da toxicodependência e do alcoolismo, os jogos de azar e outras dependências (AL, 51). É igualmente importante acolher e valorizar a angústia daqueles que sofreram injustamente a separação, o divórcio ou o abandono, ou então foram obrigados, pelos maus-tratos do cônjuge, a romper a convivência”. (AL, 242)

 

Prece

Virgem de Fátima, Nossa Senhora da Agonia, que acompanhou o Seu Filho, nesta Hora dolorosa, nos ensine a olhar para as famílias, encorajando-as. Porque o amor é amável, saibamos ter palavras e gestos de incentivo, que reconfortem, fortaleçam, consolem e estimulem as famílias angustiadas. Na família, aprendamos a linguagem amável de Jesus. (AL, 200)

Leitura

Da Paixão, segundo São Mateus (Mt 27, 24-26)

Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco». E todo o povo respondeu: «O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos». Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado flagelar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado.

 

Meditação

“A flagelação de Jesus é um acto de violência arbitrária e faz-nos pensar nas tristes situações de violência familiar. A violência no seio da família é escola de ressentimento e ódio nas relações humanas básicas”. (Bispos do México, citado por AL, 51) Por isso, o Papa nos recordava, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, que “é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família”. (Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017)

 

Prece

Virgem de Fátima, Nossa Senhora das Dores, nos ensine, em família, a não perdermos “a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade”. (Ibidem)

Leitura

Da Paixão, segundo São Mateus (Mt 27, 27-29)

Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo: «Salve, rei dos judeus!». Depois, cuspiam-Lhe no rosto.

 

Meditação

A violência afirma-se, de modo cínico, na coroação de espinhos. Uma coroa da glória torna-se instrumento de tortura. E nós recordamos que esta violência atinge tantas famílias, de que se “destaca a violência vergonhosa que, às vezes, se exerce sobre as mulheres, os maus-tratos familiares e as várias formas de escravidão, que não constituem um sinal de força masculina, mas uma covarde degradação”. (AL, 54) Também “o abuso sexual das crianças torna-se ainda mais escandaloso, quando se verifica em ambientes onde deveriam ser protegidas, particularmente nas famílias e nas comunidades e instituições cristãs”. (AL, 45)

 

Prece

Virgem de Fátima, Nossa Senhora do Imaculado Coração, nos ensine a “não alimentar a ira, mas a responder ao mal com palavras de bênção e gestos de paz. Por isso, nunca terminemos o dia sem fazer as pazes na família. Para isso basta um pequeno gesto, uma carícia, sem palavras”. (AL, 104)

Leitura

Da Paixão, segundo São Mateus (Mt 27. 32-34)

Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber.

 

Meditação

Jesus carrega a cruz e, no limite das forças, é ajudado por Simão de Cirene. “Merecem grande admiração as famílias que aceitam, com amor, a prova difícil de um filho deficiente. Dão à Igreja e à sociedade um valioso testemunho de fidelidade ao dom da vida”. (AL, 47) “Também os cuidados que os idosos requerem sujeitam a dura prova os seus entes queridos”. (AL, 48) E como não recordar as pessoas divorciadas e os casos em que a separação foi inevitável. “Por vezes, tornou-se até moralmente necessária, para defender o cônjuge mais frágil, ou os filhos pequenos, das feridas mais graves causadas pela prepotência e a violência, pela humilhação e a exploração, pela alienação e pela indiferença”. (AL, 241)

 

Prece

Virgem de Fátima, Nossa Senhora da Via dolorosa, nos dê a graça daquele amor, que “suporta, com espírito positivo, todas as contrariedades e se mantém firme no meio de um ambiente hostil”. (AL, 118) “Ela nos ensine a cultivar na vida familiar esta força do amor, que apesar de tudo não desiste”. (AL, 119)

Leitura

Da Paixão, segundo São Mateus (Mt 27, 45-50)

E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: «Eli, Eli, lemá sabactáni?», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?». E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.

 

Meditação

Jesus morre. Descido da Cruz é deposto no colo de Sua Mãe. “Às vezes, a vida familiar vê-se desafiada pela morte de um ente querido. Não podemos deixar de oferecer a luz da fé para acompanhar as famílias que sofrem em tais momentos”. (AL, 253) “Consola-nos saber que não se verifica a destruição total dos que morrem, e a fé assegura-nos que o Ressuscitado nunca nos abandonará”. (AL, 256 “A nossa tarefa é crescer no amor para com aqueles que caminham connosco, até ao dia em que «não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor»”. (AL, 258)

 

Prece

Virgem de Fátima, Nossa Senhora do Calvário, que acolheu no regaço o Seu filho morto, aguardando, em esperança, a luz nova da Sua Ressurreição, nos ajude a acreditar “no amor mais forte do que a morte, no amor que tudo crê, tudo espera e que, por isso mesmo, não desespera do futuro”. (AL, 116-117)

Mistérios Luminosos

Quinta

Em Outubro de 2002, o papa João Paulo II, escreveu uma belíssima Carta Apostólica sobre o sentido, importância e lugar da oração do Rosário, na Igreja, mas também em cada família e para cada cristão. Foi aí que ele acrescentou os Mistérios Luminosos: “Passando da infância e da vida em Nazaré à vida pública de Jesus, a contemplação leva-nos aos mistérios que se podem chamar, por especial título, «os mistérios da luz». Na verdade, todo o mistério de Cristo é luz. Ele é a «luz do mundo» (Jo 8, 12). Mas esta dimensão emerge particularmente nos anos da vida pública, quando Ele anuncia o evangelho do Reino”. (RVM, 21)

Meditemos então os Mistérios da Luz e deixemos que o anúncio do Evangelho do Reino ilumine a vida de cada uma das nossas famílias e nos faça ver e viver a vida como um dom.

Leitura

Do Evangelho segundo São Mateus (Mt 3, 16-17)

“Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.»

 

Meditação

“«Não é possível uma família sem o sonho. Numa família, quando se perde a capacidade de sonhar, os filhos não crescem, o amor não cresce; a vida debilita-se e apaga-se».  Neste sonho, para um casal cristão, aparece necessariamente o baptismo. Os pais preparam-no com a sua oração, confiando o filho a Jesus já antes do seu nascimento”. (AL, 169)

O sacramento do baptismo leva-nos a compreender como toda a vida é um dom de Deus. Pedir o baptismo é agradecer esse dom e tornar-se responsável por ele. “Na alma de cada filho, por mais vulnerável que seja, Deus põe o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada, ninguém, poderá destruir.” (Catequese, 11 de fevereiro de 2015). A vida humana torna-se santa.

 

Prece

Ao sermos mergulhados no Mistério da Páscoa de Cristo, somos transferidos para o reino da luz, ou seja do amor, da verdade e da paz: este é o reino da luz. “Pensemos a que dignidade nos eleva o Batismo” (Angelus, 10 de janeiro de 2016), e rezemos.

Leitura

Do Evangelho segundo São João (Jo 2, 5-7)

“Sua mãe disse aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!» Ora, havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma. Disse-lhes Jesus: «Enchei as vasilhas de água.»”

 

Meditação

A água que enche as vasilhas, em Caná, é símbolo da nossa humanidade, com todas as suas fragilidades e limitações. O vinho que dessas vasilhas é servido, depois da acção de Jesus, é símbolo da graça de Deus que se ‘acrescenta’ à nossa humanidade para nos fazer saborear a presença do amor de Deus em nós. “O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos... Não é uma «coisa» nem uma «força», mas o próprio Cristo, na realidade, «vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do matrimónio. Fica com eles, dá-lhes a coragem de O seguirem, tomando sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro».” (AL, 72)

 

Prece

“O sacramento do matrimónio é um grande acto de fé e de amor: dá testemunho da coragem de acreditar na beleza do gesto criador de Deus e de viver aquele amor que impele a ir sempre além, além de nós mesmos e da própria família.” (Catequese, 6 de Maio de 2015)

E unidos a Maria rezemos para que cada família se deixe renovar pela graça vivificante do amor de Deus.

Leitura

Do Evangelho segundo São Marcos (1 Mc, 14-15)

“Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho».”

 

Meditação

Todos os baptizados, cada um segundo a sua vocação, recebem a mesma missão de anunciar e testemunhar o Reino de Deus. Escreve o papa Francisco: “Com o testemunho e também com a palavra, as famílias falam de Jesus aos outros, transmitem a fé, despertam o desejo de Deus e mostram a beleza do Evangelho e do estilo de vida que nos propõe. Assim os esposos cristãos pintam o cinzento do espaço público, colorindo-o de fraternidade, sensibilidade social, defesa das pessoas frágeis, fé luminosa, esperança activa. A sua fecundidade alarga-se, traduzindo-se em mil e uma maneiras de tornar o amor de Deus presente na sociedade.” (AL, 184)

 

Prece

Rezemos para que “as famílias cristãs não esqueçam que a fé não nos tira do mundo, mas insere-nos mais profundamente nele, e que a cada um de nós cabe um papel especial na preparação da vinda do Reino de Deus”. (AL, 181)

Leitura

Do Evangelho segundo São Mateus (Mt 17, 1-2)

“Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte. Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.”

 

Meditação

O caminho de cada família, é um caminho atravessado por momentos difíceis e dolorosos. Mas nós acreditamos que, quando “os sofrimentos e os problemas são vividos em comunhão com a Cruz do Senhor e, abraçados a Ele, pode-se suportar os piores momentos. Nos dias amargos da família, há uma união com Jesus abandonado, que pode evitar uma ruptura”. (AL, 317)

 

Prece

Escreve o papa Francisco: “A oração em família é um meio privilegiado para exprimir e reforçar esta fé pascal. Podem-se encontrar alguns minutos cada dia para estar unidos na presença do Senhor vivo, dizer-Lhe as coisas que os preocupam, rezar pelas necessidades familiares, orar por alguém que está a atravessar um momento difícil, pedir-Lhe ajuda para amar, dar-Lhe graças pela vida e as coisas boas, suplicar à Virgem que os proteja com o seu manto de Mãe. Com palavras simples, este momento de oração pode fazer muito bem à família.” (AL, 318)

Rezemos para que, cada família encontre o seu ‘momento transfigurador’ junto de Jesus, e assim renove a coragem e a esperança para continuar o caminho.

Leitura

Do Evangelho segundo São Mateus (Mt 26, 26-27)

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.» Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos».”

 

Meditação

Como a ‘Igreja vive da Eucaristia’, também cada família é chamada a viver da Eucaristia, isto é, a alimentar, na Eucaristia de cada Domingo, o seu amor e a sua vida. É aí que encontrará e renovará as forças para viver, cada dia, o seu amor e as exigências de amar até ao fim, como Cristo e em Cristo. São muito ‘íntimos os laços que existem entre a vida conjugal e a Eucaristia’. “O alimento da Eucaristia é força e estímulo para viver, em cada dia, a aliança matrimonial como «igreja doméstica».” (AL, 318)

 

Prece

O papa Francisco diz: “É preciso sublinhar a importância da espiritualidade familiar, da oração e da participação na Eucaristia dominical, e animar os cônjuges a reunirem-se regularmente para promoverem o crescimento da vida espiritual e a solidariedade nas exigências concretas da vida”. (AL, 223)

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